Vigário Geral

Vigário Geral é uma favela muito conhecida da zona norte da cidade, principalmente devido ao importante trabalho desenvolvido pelo grupo AfroReggae. Antes deste trabalho, a comunidade tinha em suas ruas apenas uma cultura de guerra alimentada pelo tráfico de drogas, onde crianças de qualquer idade carregavam armas pesadas. Hoje Vigário Geral ainda é controlada pela facção criminosa Comando Vermelho (CV), ainda tem presente o narcotráfico, mas oferece a possibilidade de que os moradores escolham outros caminhos de vida.

A favela teve sua origem com a implantação da linha férrea Leopoldina, no final da década de 40. Nos anos 70 foi inaugurado o Conjunto Habitacional Vigário Geral, e várias indústrias foram instaladas no bairro.

A região tornou-se um polo de comércio de produtos importados da China, louças, plásticos, vidros e material escolar no varejo e atacado.

Em 1993 a grande tragédia desta comunidade foi noticiada no Brasil e também no exterior. Trinta policiais entraram na favela, matando 21 moradores inocentes e desarmados. Esse ataque ficou conhecido como Chacina de Vigário. Todos os policiais envolvidos no crime foram presos, mas apenas cinco receberam condenação. Em resposta a esse episódio terrível surgiu o Grupo Cultural AfroReggae, com a publicação de um jornal que divulgava as ideias de seu fundador, José Junior.

Além das invasões policiais, os moradores de Vigário também convivem com o medo das lutas travadas entre as facções criminosas. A Parada de Lucas, vizinha de Vigário Geral, é controlada por uma facção rival. As duas facções estão em guerra há quase três décadas. Tiveram uma trégua de sete anos devido ao pavor da chacina de 1993. Mas em 2000 Lucas invadiu Vigário, matando muita gente.

Hoje as ruas de Vigário Geral não são mais de chão batido e nem estão cheias de quebra-molas feitos por traficantes. No entanto, a comunidade ainda tem um alto índice de violência. A população também sofre com a ação das milícias, que negociam com traficantes em troca de dinheiro.

Lutando contra essa realidade, o AfroReggae se desenvolveu e hoje oferece aulas de circo, artes plásticas e percussão, além de outras atividades educacionais, com o objetivo de proporcionar diversão e orientação para que os jovens escolham um caminho longe da violência e do narcotráfico.

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