Complexo da Maré

O Complexo da Maré é um agrupamento de favelas e conjuntos habitacionais na zona norte da cidade. Com cerca de 130 mil moradores, a área tem uma das piores rendas per capita da cidade e baixíssimos indicadores de desenvolvimento humano.

O complexo localiza-se numa região à margem da Baía de Guanabara, caracterizada originalmente por ter uma vegetação de manguezal. Ocupada desde meados do século XX por barracos e palafitas, teve os manguezais progressivamente aterrados pela população ou pelo poder público.

O nome Maré tem origem no fenômeno natural que causava graves problemas aos moradores. No passado, vivendo em construções muito precárias, eles sofriam com a maré alta que trazia cobras, ratos, lama e várias doenças.

Os aglomerados urbanos que formam o Complexo da Maré surgiram de várias maneiras. Algumas construções surgiram com as obras para a abertura da Avenida Brasil outras com a realização dos aterros nos terrenos próximos. Já outros foram formados por pessoas expulsas de outras áreas. A favela Nova Holanda, por exemplo, recebeu moradores removidos de outras comunidades do Rio de Janeiro, como o Morro da Praia do Pinto e o Morro da Formiga. Os primeiros barracos da Nova Holanda foram construídos provisoriamente. Mas o que era para ser transitório virou definitivo. Anos depois, os próprios moradores fizeram reformas nas casas construídas pela Prefeitura.

Durante todo o processo de formação do Complexo da Maré, os habitantes sofreram todo tipo de pressão. O medo das constantes remoções, a violência dos policiais que reprimiam suas obras e destruíam seus barracos fazia parte do dia-a-dia dos moradores.

Associações de moradores foram fundadas e tiveram muita importância no processo de organização das favelas. As primeiras apareceram em 1954 e, aos poucos, conseguiram garantir serviços como distribuição de água, eletricidade, esgoto, pavimentação e coleta de lixo. Ao longo dos anos, várias associações surgiram e lutaram por diferentes causas, entre elas o direito de permanecer nas terras ocupadas.

A maioria das favelas da Maré é tipicamente de encosta, apresentando malha urbana de traçado irregular, labiríntica, com vários becos sem saída, onde grande parte das ruas acompanha as curvas de nível do terreno. Aquelas mais próximas à Avenida Brasil são mais planas e possuem uma maior densidade demográfica. Muitos conjuntos habitacionais levaram vários anos para sair do papel e dependeram da atuação de diferentes governos municipais ao longo do tempo.

O Projeto Rio foi a primeira grande intervenção do governo federal na Maré. O objetivo era acabar com as moradias construídas precariamente sobre palafitas e transferir os moradores para casas pré-fabricadas erguidas sobre aterros na Baía de Guanabara. A primeira fase teve início em 1982. Nesta época um terço dos habitantes da Maré morava sobre palafitas, principalmente nas comunidades Baixa do Sapateiro e Parque da Maré. Depois de muita polêmica, os moradores começaram a ser transferidos para o primeiro conjunto habitacional do Projeto Rio, batizado de Vila do João.

Outros conjuntos habitacionais foram construídos no complexo. O Pinheiro foi inaugurado em 1990, utilizando o tijolo e o concreto aparentes. Modelo que foi repetido no Conjunto Nova Maré, inaugurado pela Prefeitura em 1995 para assentar moradores removidos devido à construção da via expressa Linha Vermelha.

A Maré também teve o programa Favela-Bairro, um projeto de urbanização da Prefeitura que teve início em 1993. Os moradores foram ouvidos para que fosse possível identificar as reais necessidades da comunidade. Reformas foram feitas e ruas foram abertas.

Todas subdivisões do complexo têm algum comércio, mesmo que de pequeno porte. Algumas possuem comércio variado, terminal de ônibus, posto de saúde, posto policial e escolas. As escolas são poucas e não atendem toda a população, deixando muitas crianças sem possibilidade de estudo dentro da comunidade. Outro grande problema é a crescente insegurança causada pelas facções criminosas rivais que disputam o controle do tráfico de drogas, levando a população a conviver com o frequente fogo cruzado de tiroteios e deixando as crianças, muitas vezes, atraídas pelo mundo do crime.

Devido ao grande crescimento populacional e às dificuldades que os moradores ainda enfrentam, vários órgãos foram criados para atender melhor os cidadãos do Complexo da Maré. Entre eles, destaca-se a Agência de Desenvolvimento Local da Maré, da Secretaria de Estado de Governo do Rio de Janeiro (SEGOV), que promove o programa Trabalho e Educação. O complexo conta ainda com a escola Corpo de Dança da Maré, o Museu da Maré, o Parque Ecológico Municipal da Maré e a Vila Olímpica da Maré.

Na área social, a Maré tem também entidades como: o Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré, que promove ações sócio-educativas; a Escola de Fotógrafos Populares da Maré, patrocinada pela UNICEF e apoiada pela Kodak UK, em parceria com a ONG Observatório de Favelas.

Além disso, há o Projeto Uerê, escola alternativa para crianças e adolescentes com dificuldade de aprendizagem devido a traumas provocados pela convivência diária com a violência.

O bairro Maré foi instituído em 1994. Hoje congrega aproximadamente 16 microbairros, usualmente chamados de comunidades, que se espalham por 800 mil metros quadrados próximos à Avenida Brasil.

Seguem as subdivisões do complexo, por data de criação:

  1. 1940: Morro do Timbau
  2. 1947: Baixa do Sapateiro
  3. 1948: Conjunto Marcílio Dias
  4. 1953: Parque Maré
  5. 1955: Parque Roquete Pinto
  6. 1961: Parque Rubens Vaz
  7. 1961: Parque União
  8. 1962: Nova Holanda
  9. 1962: Praia de Ramos
  10. 1982: Conjunto Esperança
  11. 1982: Vila do João
  12. 1989: Vila do Pinheiro
  13. 1989: Conjunto Pinheiro
  14. 1992: Conjunto Bento Ribeiro Dantas
  15. 1996: Nova Maré
  16. 2000: Salsa e Merengue

Vídeo de Jéssica Andrade, moradora da Maré

Assuntos Relacionados:

Share

7 Comentários sobre "Complexo da Maré"

  1. Raimundo Castro disse:

    gostaria de ver imagens dos locais citados acima´,esta semana estava lendo a Veja vi uma matéria sobre a maré curioso devemos cuidar melhor das nossas crianças que sofrem com tanta violencia aqui em Manaus não tem muita favela espero que as autoridades ai do Rio olhem com mais carinho para esses cidadãos carentes que Deus os ajude.

  2. Carlos Santos disse:

    Cadê a UPP na Maré?

  3. ester samuel disse:

    moro no complexo da maré a 24 anos, e eu não acho necessario upp .
    tudo bem que tem o poder paralelo, mas acho melhor eles doque a policia. por que a policia são bandidos fardados e os traficantes são como eles são. amo o local onde moro, não tenho nada contra upp, mas tambem não tenho nada a favor.

  4. jennifer cardoso disse:

    NASCI NO COMPLEXO DA MARE, MAS INFELIZMENTE, MEUS PAIS DECIDIRAM SAIR DE LA, MAS UM DIA VOLTAREI PARA LA,POIS NAO ME ACUSTUMO AQUI

  5. Brasil segurança disse:

    KD a solidariedade com o policial morto…vcs sao oportunistas e sanguesugas

  6. douglas silva disse:

    Olha, concordo plenamente com ester samue. em relação a segurança upp não traz nada disso pois upp pra quem não sabe não passa de uma maquiagem.. pois na maioria das comunidades ocupadas ainda existe muitos traficantes, o governo não quer acabar com o trafico e sim os furtos que ocorrem.. para qm nao sabe e ver esse poste agora pensa q lah é uma zona de perigo, pois quem pensou isso pensou errado pois lah é mais seguro doque vc fora da comunidade pois lah dentro não há furtos proibido roubos lah dentro.. Nasci no complexo da maré e cresci lah e vi mts coisas mudarem la, hj em dia não ta mais assim como está nessa foto..

  7. PAZ para todo o compléxo da Maré disse:

    PAZ para todo o Compléxo da Maré…Ass; MC DEDÉ…..

Deixar um comentário