Democracia e Futuro (a partir de 1985)

A democracia começou então com José Sarney, que havia apoiado os militares até 1984. No seu governo a inflação galopante levou o Brasil a ter uma enorme dívida externa de quase US$ 115 bilhões em 1990. Seu mandato caracterizou-se pela consolidação da democracia, mas também por uma grave crise econômica e por diversas acusações de corrupção. Criou o Plano Cruzado em uma tentativa de estabilizar a moeda, mas a iniciativa fracassou. Em 1985 realizaram-se eleições diretas para prefeito nas capitais, e em 1986 ocorreram as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, a qual promulgou uma nova Constituição em 5 de outubro de 1988.

Em 1989 tivemos a primeira eleição presidencial direta do sistema democrático. Nela foi eleito Fernando Collor de Mello, que, apoiado pela mídia, derrotou Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato vitorioso iniciou seu governo com o confisco das contas correntes e das poupanças de toda a sociedade. Também apresentou um ambicioso programa de estabilização da economia, o Plano Collor. Tomou medidas para conter a inflação e abrir a economia brasileira, mas a situação não melhorou, agravando a recessão.

Em 1992, depois de se envolver em escândalos e ser acusado de um esquema de corrupção por seu irmão, Collor sofreu o impeachment. O movimento dos “caras pintadas” marcou as manifestações populares que forçaram a saída de Collor. O presidente foi investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito e teve seus direitos cassados por oito anos por determinação do Senado Federal em 1994. Em 2006 retornou ao Congresso do Brasil como senador de Alagoas.

O vice de Collor, Itamar Franco, assumiu em 1992 e governou até 1995. O novo presidente construiu uma imagem de competência e integridade e nomeou o senador Fernando Henrique Cardoso para ministro da Fazenda. Em 1994 o Plano Real foi criado, visando à estabilização da moeda. Com o sucesso do projeto o Brasil melhorou a economia e acabou com a crise inflacionária. Fernando Henrique Cardoso passou a ser o candidato oficial à sucessão de Itamar, e acabou eleito presidente em outubro de 1994, assumindo o cargo em 1º de janeiro de 1995.

A política de estabilidade e de continuidade do Plano Real despontou como a principal plataforma de Fernando Henrique Cardoso. O governo foi caracterizado por diversas privatizações, com destaque para a mineradora Vale do Rio Doce em 1997, transação muito questionada pelo baixo preço cobrado e pela perda da soberania do Brasil nas reservas de minério de ferro. Atualmente a Vale é a maior empresa privada no país e conta com uma administração eficiente, sendo reconhecida no mundo todo.

A economia do Brasil cresceu durante meados da década de 1990. A moeda manteve-se estável, a inflação permaneceu baixa, o investimento estrangeiro teve um grande aumento e o número de brasileiros sem renda suficiente para comer diminuiu 5%.

Fernando Henrique foi reeleito em 1998, derrotando Lula pela segunda vez. Ao final do seu segundo mandato, o presidente pôde mostrar sólidos progressos em várias frentes. A mortalidade infantil caiu, o número de crianças na escola cresceu e o acesso a serviços de água, esgoto e telefonia aumentou.

Em 2000 entrou em vigor a Lei de Responsabilidade Fiscal, que buscava um rigor na execução do orçamento público. O Bolsa Escola foi criado, junto com outros programas sociais destinados à população de baixa renda. Ampliou-se o investimento privado em educação superior, especialmente com a criação de linhas de crédito para instituições de ensino.

O governo conseguiu estabilizar a economia e atraiu novos investimentos estrangeiros, mas não concluiu as reformas tributária, previdenciária e social, necessárias para estimular o crescimento do Brasil. Para concretizar a estabilidade econômica e sustar a crise fiscal do Estado, causada pelas dívidas externa e interna, a administração de Fernando Henrique desencadeou as reformas constitucionais. Ao mesmo tempo, foi derrubado o monopólio em vários setores, como o do petróleo, das telecomunicações, do gás canalizado e da navegação de cabotagem.

Com o lento crescimento econômico, a taxa de desemprego aumentou de 4% para 8% entre 1994 e 2002. O fim do segundo mandato foi marcado por suspeitas de corrupção e por uma crise no setor energético, que ficou conhecida como “escândalo do apagão”.

A crise ocorreu por falta de planejamento e ausência de investimentos em geração e distribuição de energia, e foi agravada pela escassez de chuva, provocando racionamento energético e descontentamento da população. O governo de Fernando Henrique acabou em 2003 com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

O século XX foi marcado por grandes mudanças no Brasil e no mundo. Foi a época das guerras mundiais e da bomba atômica, do automóvel, do avião, das viagens espaciais, da eletrônica, dos transplantes, da clonagem e da Internet. Um período marcado pelo do fim dos impérios colonialistas, pela internacionalização da economia, pela indústria cultural, pelo resgate dos direitos da mulher e das minorias. A história do século pode ser entendida como a de um conflito entre a democracia liberal e a ditadura totalitária.

O Brasil viveu 20 anos sob o regime militar e foi regido por seis constituições. Passamos por um dos mais velozes processos de urbanização da história moderna. Em 1950 a zona rural abrigava quase 70% dos habitantes. No final do século possuía pouco mais de 20%. Entre 1901 e 2000 a população passou de 17 milhões para 170 milhões, o Produto Interno Bruto se multiplicou por cem, a expectativa de vida saltou de 33 anos em 1910 para 65 anos no final do século. Continuamos, porém, com o objetivo de promover uma distribuição de renda justa, reduzindo a pobreza e a exclusão social.

O século XXI chegou com a comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil. Trouxe como desafio aos países em desenvolvimento a permanência em um cenário internacional no qual a posse de conhecimento e a aplicação de tecnologia são fatores determinantes de autonomia. Expressivos avanços nos métodos e ferramentas de produção aposentaram matérias-primas em vários setores, e muito da mão-de-obra foi substituída pela automação e informatização. Inserido num contexto globalizado, o Brasil partiu para a recuperação política e comercial do Mercosul, reforçando e ampliando as relações com os vizinhos do continente sul-americano, visando a uma efetiva integração da região. Os interesses do país passaram a ser defendidos em todas as instâncias de negociação, desde a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) até a Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo brasileiro assumiu uma indiscutível posição de liderança no continente a partir de uma política externa de vocação humanista e em defesa de valores igualitários.

O início do século XXI foi marcado pelo reinado de Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT). Depois de três derrotas, ele venceu as eleições de 2002 no segundo turno, derrotando o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), José Serra. Pela primeira vez, o Brasil elegeu um governo de esquerda e um presidente que sabe o que é a pobreza. Em sua campanha eleitoral, Lula prometeu reembolsar as dívidas internacionais do Brasil, promover uma reforma agrária, apoiar os sem-terra, fazer do Brasil um país com “Fome Zero” e repudiar a corrupção e os favores políticos.

Em seu mandato, Lula se mostrou mais conservador e manteve o modelo de gestão do governo anterior. A área econômica foi caracterizada pela estabilidade, pela baixa inflação, pelo estímulo ao microcrédito e por uma grande queda na dívida externa.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2003 a 2006 o índice de desemprego caiu no Brasil, e o número de pessoas contratadas com carteira assinada cresceu. A taxa de miséria de 2004 teve uma redução de 8%, se comparada a 2003.

O presidente aumentou diversas vezes o salário mínimo, mas também o déficit da Previdência. Lula teve como grande destaque os projetos feitos em benefício da população carente. O programa Bolsa Família, antigo Bolsa Escola do governo de Fernando Henrique, foi ampliado. Hoje, cerca de 11 milhões de famílias pobres com ganho mensal de até R$ 137 por pessoa são beneficiadas com a transferência de renda. No início o programa foi muito criticado por não condicionar o benefício à frequência escolar, mas logo passou a ser elogiado pela sua abrangência.

Após denúncias do então deputado do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) Roberto Jefferson, envolvido em um esquema de propina, grandes escândalos foram levantados. A crise desdobrou-se em outras, que geraram uma forte exposição na mídia de diferentes níveis de corrupção. Alguns ministros saíram, e deputados acabaram cassados. Os gastos com cartões corporativos foram expostos, mostrando o uso indevido do dinheiro público. Mesmo assim, Lula manteve seu índice de aprovação e conseguiu a reeleição fazendo coligações com outros 15 partidos.

O segundo e atual governo de Lula é marcado pela fabricação do Bio Disel, da descoberta de novos campos petroleiros, da exploração de petróleo na camada de pré-sal e das fortes relações internacionais estabelecidas.

O Brasil começou a conquistar seu lugar no mundo, construir relações com grandes nações. Hoje, é visto como parceiro no desenvolvimento sustentável. O Brasil se qualificou como país seguro no mercado de ações e recebeu muitos investimentos externos.

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi criado e várias obras começaram a ganhar vida, incluindo projetos de habitação e infra-estrutura para moradores de favelas do Rio de Janeiro. Também tivemos uma profunda crise no Senado brasileiro, onde o presidente, José Sarney, foi apontado como fonte de corrupção. Foi notícia no mundo todo a saída da ministra do Meio Ambiente Marina da Silva, militante do PT desde a sua fundação, para se aliar ao Partido Verde (PV) e concorrer às eleições presidenciais de 2010, contra a candidata de Lula, Dilma Roussef. Dilma Roussef foi eleita presidente do Brasil, no segundo turno das eleições de 2010 com mais de 56% dos votos válidos.

O governo também está muito criticado pela dimensão do setor público e por seus gastos elevados. Os grandes impostos, em conjunto com a burocracia, ainda impossibilitam o crescimento de muitas pequenas e médias empresas.

Hoje temos inúmeros partidos políticos, e seus ideais e objetivos se sobrepõem. Não temos uma esquerda e uma direita bem definidas, o que gera uma intensa troca partidária e muitas coligações. No entanto, tudo indica que o Brasil começa a se tornar um país mais transparente. Agora temos mais informação sobre as irregularidades do governo e podemos lutar para que estas sejam corrigidas. Apesar de todas as dificuldades, nos caracterizamos por uma democracia segura, de um povo cada vez mais participante e ciente dos problemas enfrentados. O Brasil sai fortalecido da crise financeira e continua sendo o país de futuro. Estamos muito bem colocados no cenário internacional e muitos apostam no nosso crescimento. Precisamos alcançar esse futuro e fazer dele um presente promissor e igualitário para nosso povo.

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6 Comentários sobre "Democracia e Futuro (a partir de 1985)"

  1. pedro disse:

    muito bom.. vlw mesmo
    usei isso em um trbalho de sociologia no qual meu tema éra o mesmo.. obg

  2. Lucas disse:

    Obrigado, esse texto foi de grande ajuda para meus estudos.

  3. Maria Isabel Diniz disse:

    Excelente texto!!!Muito obrigada,porque me ajudou bastante na hora em que precisava de um texto como este para fazer um trabalho de Filosofia(Política e Democracia).

  4. jheniffer souza pereira da silva disse:

    não gostei desse saite ;)

  5. eu goste do texto,mas não tenho tempo para copiá-lo,e o texto não passa para o programa que uso(Microsoft Word).

  6. Kilza Talinny disse:

    Gostei de site me ajudo muito com um trabalho de sociologia

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