Candido Portinari

Cândido Torquato Portinari nasceu em 1903, numa fazenda de café no interior de São Paulo que hoje abriga um museu em sua homenagem. De família humilde, seus primeiros anos de vida foram entre aldeias e plantações de café. Cursou apenas o primário, porém desde criança manifestou sua vocação artística. Aos 6 anos começou a desenhar e aos 9 participou do trabalho de restauração de uma igreja, ajudando pintores italianos.

Em 1918, aos 15 anos, foi para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1928 conquistou o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, viajou pela Europa e se instalou em Paris, ficando lá até 1930. Estudou e pesquisou arte, descobriu a pintura moderna e conheceu a mulher que lhe acompanhou durante toda a vida, Maria Martinelli.

De volta ao Brasil, Portinari dedicou-se intensamente à pintura. Retratou na tela o povo brasileiro e buscou nas lembranças de sua terra, na aldeia e nas colheitas de café sua inspiração. Abandonou as regras da Academia de Belas Artes e seguiu sua própria personalidade.

Em 1935 pintou a tela Café e obteve reconhecimento no exterior. Em 1936 foi nomeado professor do Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal e pintou seu primeiro mural.

Fez obras de arte em estruturas importantes de grandes dimensões, como o Monumento Rodoviário situado no eixo Rio de Janeiro-São Paulo e o edifício do Ministério da Educação e Saúde. Estes trabalhos representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então.

Sua arte denunciou as desigualdades sociais brasileiras. Teve seu trabalho reconhecido internacionalmente, caracterizado pelo volume de corpos humanos e pés enormes, relacionando as figuras com a terra. Recebeu uma série de encomendas oficiais e retomou uma tradição de composições históricas grandiosas num estilo moderno.

Em 1944, a convite de Oscar Niemeyer, fez um mural para a igreja de Pampulha, em Minas Gerais, pintando São Francisco e a Via Sacra em caráter fortemente expressionista. Em 1948, Portinari exilou-se no Uruguai por motivos políticos. Lá pintou o painel A Primeira Missa no Brasil e, um ano depois, pintou um painel de Tiradentes que recebeu a medalha de ouro concedida pelo júri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.

Em 1952, realizou outro painel de grande importância e temática histórica, A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia, e iniciou os estudos para os painéis intitulados Guerra e Paz, que foram oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo 14 x 10 metros cada, os maiores já pintados por ele, encontram-se na sede da ONU em Nova York.

O artista deixou também uma grande quantidade de obras retratando de maneira expressionista a realidade da população rural, notadamente dos retirantes do Nordeste. Em sua carreira pintou quase cinco mil obras, de pequenos esboços a gigantescos murais.
Portinari nunca parou de trabalhar. Envolveu-se na política e sempre buscou homenagear a sua terra e o seu povo. Em 1962, morreu intoxicado pelas tintas que utilizava.

Para ele a pintura era, no princípio, o maior veículo de propaganda de ideias, e lamentava que no fim de sua carreira a pintura tivesse passado a precisar de uma enorme propaganda para viver.

O Lavrador de Café – 1939

Um dos grandes marcos de Portinari, O Lavrador de Café faz parte de um grupo de 56 obras que o pintor produziu com a temática do café. A pintura a óleo sobre tela mede 100 x 80 centímetros e retrata um trabalhador negro em uma fazenda de café do início do século XX. Mostra uma realidade social na qual o homem se deforma devido ao peso do trabalho, e os enormes pés parecem ligados à terra, como se dela fizessem parte.

O quadro foi roubado em 2007, juntamente com uma obra de Picasso, e recuperado pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, 19 dias depois. Hoje encontra-se no Museu de Arte de São Paulo.

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5 Comentários sobre "Candido Portinari"

  1. maiara disse:

    mmuito bom gostei

  2. Jùlia Bittencourt disse:

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  3. Herberth santos disse:

    como e linda a trajetória de um dom cujo o reconhecimento e visto por quem sabe aprecia-la,lindo…

  4. luana amorim disse:

    uma historia muito bonita e interessante!!

  5. telma piacentini disse:

    execelente apresentação de Portinari: gostei do relato.

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