História do Rio

Em 1502 os portugueses chegaram ao litoral do Rio de Janeiro. No entanto, décadas se passaram até o início da colonização, e lutas foram armadas na disputa de riquezas naturais como o pau-brasil. Franceses, holandeses e ingleses chegavam à costa e se enfrentavam pelos tesouros aqui encontrados.

Os franceses foram os primeiros europeus a se estabelecer ao longo da baía, e estavam dispostos a lutar pela região. O governo português, preocupado com as invasões, decidiu enfim colonizar o território, mandando uma expedição em 1530. Lutaram contra os franceses, que foram expulsos em 1576. A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada em 1º de março de 1565, pelo explorador português Estácio de Sá. Na praia da Urca, entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, o Rio de Janeiro nascia.

Os colonizadores europeus encontraram, no litoral, aldeias com milhares índios. Eles se dedicavam à agricultura, à música e à dança, e conheciam muito bem as propriedades medicinais dos vegetais. Os grupos indígenas juntaram-se, nos séculos seguintes, aos colonizadores e aos escravos africanos, dando origem à miscigenação do povo.

O centro da cidade, pela sua proximidade com o porto, foi primeiramente povoado. Construções pobres e insalubres provocaram o surgimento de graves doenças como a febre amarela. Já o povoamento do interior do Rio deveu-se basicamente aos colonos que se dedicaram ao plantio de cana-de-açúcar, produzindo o açúcar em grandes engenhos. Ao final do século XVIII a lavoura açucareira era importante geradora de riquezas, caracterizando-se por enormes latifúndios, poderosa aristocracia rural e uso intensivo de mão-de-obra escrava vinda da África.

A chegada da família real portuguesa, em 1808, trouxe vida à cidade, com uma comitiva de mais de dez mil pessoas, entre elas a rainha D. Maria I e o príncipe regente Dom João VI. O Brasil tornou-se a única colônia do Novo Mundo a ter um monarca europeu dominante em seu solo. Junto com a comitiva vieram artistas incumbidos de retratar a sociedade e a natureza e ainda as profundas reformas urbanas. Nesta época começaram a ser criados grandes marcos da cidade, entre eles: Jardim Botânico, Museu Nacional de Belas Artes, Banco do Brasil e a Biblioteca Nacional. Foi também nesta época que os cafezais atingiram Angra dos Reis e Paraty, evoluindo para o Vale do Rio Paraíba do Sul até as encostas da serra.

O Rio de Janeiro desenvolveu-se graças à sua vocação natural. Começou com seu território estritamente rural, primeiro com a produção de cana-de-açúcar, depois café, seguido de gado e outros diversos produtos. O porto teve grande importância, pois permitiu as exportações e foi fundamental para a transferência do poder federal para a cidade, tornando o Rio de Janeiro a capital do Brasil. No entanto, em 1889, com a abolição da escravatura e colheitas escassas, o crescimento diminuiu, determinando o declínio das grandes e requintadas fazendas de café de Campos, Valença, Cantagalo e Vassouras. Esse período foi marcado pela agitação social e política, o que levou à Proclamação da República.

Até o fim do século XIX o subúrbio carioca ainda era predominantemente rural, com o povoamento de pequenos núcleos em torno de igrejas e de locais de comércio surgidos por força da intensificação do transporte de mercadorias. Com a implantação da estrada de ferro, em 1886, os núcleos suburbanos ficaram mais povoados. O grande número de trabalhadores empregados nessas obras foi determinante para a ocupação da área. A linha de ferro atendeu a demanda dos produtores de café, que tinham o escoamento dificultado pelo lento transporte em lombo de burro.

Os barracos construídos nas proximidades das paradas dos trens deram origem a pequenas aglomerações. Ao longo do seu traçado começaram a se consolidar os primeiros núcleos urbanos do subúrbio. No outro lado da cidade as vias férreas também transformaram paisagens. Com a instalação de um serviço regular de bondes e a expansão das linhas de transporte, as classes altas iniciaram um processo de deslocamento para bairros periféricos, em busca de áreas mais saudáveis e com menos ocupação do que o centro, principalmente em direção à zona sul. As classes médias, por sua vez, deslocaram-se para os subúrbios, ocupando os terrenos situados ao longo das linhas de trem. Para as classes mais pobres restou permanecer no centro, morando próximo ao mercado de trabalho, em cortiços e casas de pequenos cômodos.

Entre 1870 e 1890, a população da cidade explodiu devido à imigração europeia e às migrações internas de ex-escravos do café e do açúcar. Em 1890, o Rio de Janeiro tinha um quarto de sua população composta por estrangeiros. Na medida em que a cidade crescia, sua população aumentava exponencialmente, e os problemas começavam a aparecer. A história do Rio revela uma contínua batalha para controlar o adensamento urbano provocado, por um lado, pelas condições geomorfológicas e, por outro, pelas disputas econômicas e sociais na ocupação e uso dos espaços da cidade.

No início do século XX inúmeros cortiços do centro foram demolidos na reforma “Bota Abaixo” de Pereira Passos, que pretendia reconstruir o Rio. Um grande número de pessoas se deslocou para os subúrbios, gerando um processo de urbanização.

A intervenção de Passos acentuou uma estratificação social sem precedentes na história da cidade, separando definitivamente as áreas mais privilegiadas dos subúrbios. Parte da população que foi expulsa passou a ocupar os morros próximos à área central e aos bairros mais nobres, desmatando encostas e construindo barracos de madeira sobre terrenos precários, originando as favelas.

O Rio de Janeiro cresceu e se desenvolveu. De um lado houve um acentuado crescimento organizado dos bairros mais ricos e, de outro, uma ocupação desordenada dos morros e dos bairros proletários. Nas duas primeiras décadas do século XX, a população passou de 631 mil para 1,2 milhão de habitantes. Era no subúrbio que a cidade mais crescia, com o surgimento de um grande número de loteamentos privados, sempre em volta dos eixos ferroviários, seguindo a expansão da indústria. Em 1927, com a administração de Antonio Prado Junior a cidade conheceu o Plano Agache, idealizado para reorganizar a cidade, direcioná-la a um crescimento natural e atender as necessidades futuras.

De 1920 a 1950 tivemos uma época de ouro com a inauguração de grandes hotéis como o Glória e o CopacabanaFlamengo e a praia de Copacabana. Palace. O Rio tornou-se um destino romântico e exótico para celebridades de Hollywood e da alta sociedade internacional. O Cristo Redentor foi inaugurado, transformando-se num dos símbolos da cidade. Três grandes projetos de aterros sanitários foram feitos: o Aeroporto Santos Dumont, o Parque do

Nesta mesma época a produção industrial foi quadruplicada. Em 1940, para cada funcionário público havia quase três trabalhadores na indústria de transformação. Mas a consolidação da ocupação urbana do subúrbio carioca ocorreria mesmo entre o Estado Novo e a década de 1950, com a explosão dos transportes rodoviários e a abertura da Avenida Brasil. Multiplicaram-se as fábricas cercadas por vilas operárias e parques proletários. As vilas eram criadas pelas próprias empresas para abrigar seus empregados em lugares próximos ao local de trabalho, enquanto os parques eram construídos pelo governo.

A população crescia exponencialmente, superando o patamar dos três milhões de habitantes em 1960, quando a capital federal foi transferida para Brasília. Com a mudança, o ritmo da industrialização voltou a se acelerar no Rio de Janeiro. O valor real da produção industrial carioca foi praticamente multiplicado por quatro entre 1959 e 1975.

Em 1969 tivemos o plano de urbanização da Barra da Tijuca, elaborado por Lucio Costa. A Barra foi uma das poucas regiões do Rio de Janeiro que teve um real planejamento desde o início de sua urbanização, com a abertura da Autoestrada Lagoa-Barra e dos túneis Joá e Dois Irmãos.

Em 1975 deixamos de ser capital da Guanabara para ser capital do Rio de Janeiro, devido à fusão dos dois Estados. A crise veio a partir de 86, e a indústria da região metropolitana diminuiu bruscamente. Apesar destas mudanças, o Rio conseguiu manter seu centro econômico, social e cultural. A realização na cidade da Eco 92, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, trouxe visibilidade para o Brasil e também investimentos em infraestrutura, como a construção do Riocentro.

Ao mesmo tempo, as favelas cresceram e multiplicaram-se por todo o subúrbio. Os inúmeros conjuntos habitacionais construídos no auge da expansão industrial não conseguiram absorver o fluxo de imigrantes que chegavam em busca de um emprego formal e das vantagens a ele associadas. Sem as atividades que lhe deram origem, o subúrbio começou a se tornar um cemitério industrial. Sobraram centenas de milhares de famílias desatendidas e desesperançadas, improvisando a vida na informalidade com escasso e precário acesso a serviços públicos.

Na década de 90 as coisas começaram a melhorar no Rio de Janeiro. Tivemos a retomada dos investimentos públicos, o “boom” do setor imobiliário, a proliferação dos polos gastronômicos, culturais e comerciais. Vimos um esforço privado em mobilizar setores diversos para propor políticas públicas.

Hoje somos a segunda maior cidade do país, com uma população de seis milhões de pessoas, que alcança dez milhões somando a área metropolitana. O clima de concórdia e cooperação entre os diferentes níveis de governo nos traz a esperança de volta.

Em 2007 sediamos os Jogos Pan-Americanos e logo ótimas notícias chegaram, como o anúncio da realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil e das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.

O povo está em festa como nunca, trabalhando e sonhando por um Rio mais igualitário. Os olhos do mundo estão voltados para nós, há um grande interesse no nosso desenvolvimento e num crescimento sustentável. Temos que unir os públicos, as classes e as raças, e trabalhar em conjunto para fazer desta uma cidade integrada e maravilhosa para todos.

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